Nesta última quarta, 1º, o governo mexicano veio a público anunciar um dos mais significativos avanços do país no combate às drogas. Trata-se da primeira patente de vacina contra a dependência da heroína. Essa droga é derivada do ópio que por sua vez é extraído das cápsulas da papoula. Seu nome químico é diacetilmorfina, mas foi batizada com o nome comercial de heroína em 1898 pela Bayer. A princípio foi usada como anestésico, mas logo foi proibida em vários países devido ao comportamento violento que provocava nas pessoas.
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| Lavoura de papoula, Afeganistão. |
Essa droga possui ação psicotrópica no sistema nervoso central agindo como se fosse os neurotransmissores de sensações de prazer e bem estar. Com o tempo a utilização da droga inibe a produção natural desses neurotransmissores e ainda insensibiliza os seus respectivos receptores, resultado: o usuário precisa de doses cada vez maiores para se satisfazer. Para completar sua ação devastadora o prazer provocado pelo seu consumo substitui no indivíduo a necessidade de outras fontes de prazer como viagens, família, alimentação; provocando uma imagem de desleixado no heroinômano (nome dado ao consumidor dessa droga).
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| Condição subumana dos dependentes químicos |
A vacina mexicana age no corpo induzindo a produção de anticorpos que neutralizam a droga. Depois de reconhecer a heroína, as células de defesa envolvem as partículas de heroína presente no sangue num processo chamado fagocitose. Na fagocitose a heroína fica retida dentro dos glóbulos brancos e é digerida por enzimas celulares produzidas por organelas celulares. É um processo relativamente simples, mas que teve que ser testado durante anos para evitar quaisquer efeitos colaterais que prejudicasse a já fragilizada saúde dos dependentes químicos.
A vacina já vinha sendo pesquisada por cientistas americanos, porém os mexicanos alcançaram resultados satisfatórios primeiro. Podemos esperar para a próxima década um grande avanço nas pesquisas que resultará numa gama de vacinas contra os mais diferentes entorpecentes. O sucesso do vizinho do norte deveria servir de exemplo ao governo brasileiro que fica varrendo as vítimas do tráfico para fora das cidades, como ocorreu recentemente na Cracolândia. Ao invés de tentar combater o problema, nossos políticos tentam escondê-lo . O custo da pesquisa ainda não foi divulgado, mas sem dúvida alguma o ganho com as vidas que foram salvas cobre qualquer custo financeiro.
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| Regiões de cultivo de papoula, matéria-prima da heroína. |














