Todos temos conhecimento do desmoralizante comércio entre Brasil e China, onde exportamos matérias-primas e importamos produtos industrializados. Esse descompasso surge das diferentes visões dos governos, o brasileiro sempre com a mentalidade de colonizado não investe na infra-estrutura do país o que encarece os produtos nacionais. Na China ocorre o contrário o governo quer se tornar um colonizador e não poupa um centavo para desenvolver o país.
![]() |
| Mina de Brucutu em Minas Gerais |
Sempre criticamos essa postura do governo brasileiro e vemos o Dragão asiático como um exemplo (econômico, e nada mais) para nós. Algumas empresas tupiniquins perceberam que se não tomassem uma atitude seriam engolidas pela China e investiram em infra-estrutura própria, financiando a cadeia a que pertencem e protegendo seus interesses. O melhor caso é a Vale, principal produtora mundial de minério de ferro.
Seu principal cliente é a bendita da China e pela distância o minério brasileiro perde competitividade em relação ao minério africano e australiano. O frete para os portos chineses custa U$ 25 por tonelada de minério a partir do Brasil, porém custa apenas U$12 a partir da Austrália. Outro agravante para o comércio Vale-China é a volatilidade dos preços dos fretes que em 2008 chegou a ser maior que o valor do próprio minério. Também em 2008 devido à crise as empresas que faziam o transporte simplesmente deixaram de enviar navios aos portos brasileiros o que acarretou um prejuízo de 4 bilhões à Vale e a consequente demissão de funcionários.
![]() |
| Navio Vale Brasil, maior graneleiro do mundo |
Nesse cenário preocupante a mineradora decidiu encomendar navios para garantir parte do transporte do ferro, uma vez que depender exclusivamente de outras empresas tornara-se arriscado. Essa nova frota de 35 embarcações consiste em 19 navios de propriedade da Vale e 16 de empresas chinesas e sul-coreanas. Na época dos pedidos aos estaleiros o governo brasileiro ficou furioso pelo fato de não terem sido direcionados à indústria nacional. O contrato de 2 bilhões de dólares (valor dos 19 que pertencem à Vale) foi firmado com a justificativa de que a Ásia oferecia melhores preços e tecnologia, o que é verdadeiro e legítimo. A indústria nacional reclamou, mas nada pôde fazer. A mineradora pretendia economizar em escala e esses eram os maiores navios de transporte de minérios do mundo, os chamados, Valemax que suportam até 400 mil toneladas de carga.
As indústrias chinesa e coreana ficaram extremamente satisfeitas, pois em tempos de crise receber uma encomenda dessas é uma notícia extremamente agradável.
Agora em 2012, com o agravamento da crise na Europa e fraco desempenho econômico dos EUA os armadores chineses vivem uma das piores crises de sua história, muitos navios estão parados em consequência da redução dos fretes destinadas a esses países. E a ira da industria naval chinesa agora se volta contra aquele que a ajudou em momentos difíceis, a Vale. A poderosa Associação de Proprietários de Navio da China (CSA, na sigla em inglês), cujas empresas representam 80% do setor no país pressionou Pequim a proibir a atracagem de supernavios em seus portos, afetando diretamente a mineradora brasileira.
![]() |
| Minério de ferro no porto de Tianjin, China. |
Claro que a Vale não será a única prejudicada, mas será a principal pois pouquíssimas empresas do mundo operam navios que chegam a transportar até 400 mil toneladas. Agora a única saída da empresa é utilizar os portos filipinos e malaios numa operação de transbordo do minério a navios menores. Manobra que anulará parte dos ganhos em escala do transporte nos supernavios Valemax.
A "nossa" antiga CVRD havia conseguido uma boa estratégia mas despertou o gigante ingrato. Enquanto nossas empresas são sufocadas pelo poderio econômico de Pequim o governo brasileiro financia e exonera a instalação de companhias chinesas, numa clara manobra de desindustrialização nacional. Agora me respondam como os chineses construíram navios que não cabiam em seus portos?



0 comentários:
Postar um comentário